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Vivência Transformadora - A eficiência do treinamento experiencial como mola propulsora de mudanças comportamentais e de atitude

Treinamento experiencial não é modismo, nem mesmo uma novidade dos tempos atuais. Já se passaram quase 60 anos desde que o psicólogo alemão Kurt Lewin consagrou seu modelo de aprendizagem, alicerçado no princípio de que o processo de aprender, mudar e crescer passa obrigatoriamente por quatro etapas: 1) a vivência de uma experiência concreta; 2) as observações decorrentes do fato em questão; 3) o feedback obtido e a análise do impacto das ações e decisões tomadas, tanto no âmbito da vivência quanto no mundo real; 4) a possibilidade de optar por uma mudança de comportamento e atitudes.

A metodologia pode remontar a meados do século passado, porém sua utilização nunca foi tão premente e adequada quanto nos dias de hoje. No mundo corporativo, mais e mais empresas vão descobrindo a importância dos comportamentos e das atitudes para o sucesso dos negócios. Como esses fatores só são passíveis de mudança a partir de uma determinação pessoal, amplia-se a procura por soluções de treinamento experiencial capazes de mobilizar o indivíduo e promover a transformação.

Alguns exemplos de treinamento experiencial são: jogos de empresa, role plays (muito bons para ensinar uma nova forma de fazer), e experiências estruturadas, para serem uma metáfora da realidade. Enquanto as duas primeiras requerem um conhecimento abrangente e profundo do trabalho/empresa e um bom conhecimento sobre gente, a terceira requer um profundo e abrangente conhecimento sobre o comportamento humano, e um bom conhecimento sobre as variáveis chave do trabalho e da empresa para desenhar uma experiência relevante e de alto impacto.

Como em outras searas, o aumento de demanda atrai pseudoespecialistas, que se arvoram em peripécias até divertidas, porém pouco eficazes do ponto de vista prático. Isso porque a metodologia requer conhecimento profundo do comportamento humano e dos mecanismos de funcionamento do ambiente de negócios. A aplicabilidade do programa exige um briefing detalhado para identificar a melhor alternativa de abordagem de determinada questão, seja ela ligada a trabalho em equipe, liderança, produtividade, gestão da informação ou a outros desafios. A diversão faz parte do processo, mas não é o objetivo em si. Serve, isso sim, para tornar a aprendizagem mais interessante e produtiva.

A travessia de um deserto para garimpar ouro ou uma aventura pelo interior da Austrália, à caça de cangurus, podem servir como metáfora perfeita para reproduzir desafios e pressões que pontuam a realidade corporativa. Para desenvolver programas como esses, a Eagle’s Flight, considerada um ícone em treinamento experiencial, dedica anos de estudo, necessários para desenhar soluções estruturadas, que possibilitem uma vivência relevante e de alto impacto. Sem guardar similaridades óbvias com o cotidiano de trabalho, as circunstâncias lúdicas conduzem a uma observação reflexiva, que leva o indivíduo a um ponto de escolha, deixando-o apto a promover mudanças que influenciarão sua conduta no trabalho e na vida pessoal.

Treinamento experiencial, portanto, não se reduz a mero entretenimento. O lúdico surge como estratégia de ensino – até porque as metáforas, utilizadas por grandes mestres ao longo da história da humanidade, têm um poder amplo, duradouro e incontestável como instrumento de conquista de corações e mentes.

Parodiando meu conterrâneo Caetano Veloso quando disse que “o violão é o instrumento mais fácil de tocar, mal”, o treinamento experiencial é o mais fácil de fazer mal feito.

Ana Lúcia Costa Couto
Consultora da Eagle's Flight Brasil

COMO COMPRAR TREINAMENTO EXPERIENCIAL – OU MELHOR DIZENDO – COMO EVITAR DESPERDIÇAR DINHEIRO

• Busque referência da Empresa.
• Peça o curriculum dos facilitadores.
• Entreviste a pessoa que conduzirá o programa – qual é sua formação? Há quanto tempo trabalha com essa metodologia? Como a experiência trará a tona os desafios e pressões do dia-a-dia? Como levará as pessoas a examinar suas ações e decisões? Ela já ouviu falar em Kurt Lewin?

Fazer bem feito requer não apenas saber o que e como, é preciso estar estruturando e preparado para fazer a teoria e a prática se encontrarem no momento da aprendizagem.

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